Bioetanol E85

23 11 2009

O bioetanol E85 trata-se de uma mistura de 85% de álcool, geralmente produzido a partir de cereis, misturados com 15% de gasolina. Este combustível apresenta-se como uma solução para reduzir a dependência dos combustíveis fosseis. Mas tem outras vantagens e desvantagens.

No capítulo das vantagens, temos basicamente duas: A diminuição de emissões de CO2 e a redução da dependência do petróleo, como anteriormente tinha referido.

O bioetanol apresenta uma maior octanagem, quando comparado com as gasolinas convencionais, isto implica que poderemos ter maior rendimento nos motores de combustão interna recorrendo ao bioetanol E85. Por outro lado, temos menores emissões de CO2, que podem chegar aos 70%, quando comparado com um motor a gasolina de cilindrada semelhante. Isto acontece porque o etanol tem menos carbono que a gasolina.

Claro que a dependência dos combustíveis fósseis diminui em 85% no caso do bioetanol E85. Contudo, no caso do Brasil, já existem viaturas que funcionam exclusivamente a etanol, por isso o bioetanol E85, pode ser um combustível de transição para o fim dos combustíveis fósseis.

No capítulo das desvantagens, temos uma, mas essa uma suscita graves problemas, estamos a falar na origem dos biocombustíveis: os cereais. Com um aumento de procura de cereais para produzir bioetanol E85, poderá causar um aumento exponencial do preço dos cereais. Isto é grave, pois os cereais são a base da alimentação no mundo. Contudo é possível contornar esse problema, por exemplo podemos obter biocombustíveis a partir de resíduos florestais e agro-pecuários. No caso da produção de biocombustíveis a partir dos cereais, deveria-se criar legislação para limitar a produção aos excedentes.





Formula 1 ecológica?

18 11 2009

Algum dia será uma realidade? Termos o desporto rei do motor com emissões zero? Poderá para muitos parecer uma miragem, contudo pequenos construtores de automóveis tentam demonstrar que utilizando propulsão eléctrica, é possível ter performances iguais ou superiores a motores de combustão interna.

Claro que existe o tabu de associar motores eléctricos a performances paupérrimas e a baixa autonomia, contudo os motores eléctricos apresentam um elevado rendimento em termos de conversão de energia. Outra característica interessante, é o facto dos motores eléctricos apresentam um binário constante, ao contrário do que acontece com os motores de combustão interna, este facto, possibilita que os automóveis com motores eléctricos tenham melhores acelerações e recuperações. Como podem ver neste vídeo, a aceleração é capacidade de aceleração é mesmo impressionante.

Na Califórnia já circulam alguns Tesla Roadster, este desportivo com um design muito semelhante a um Lotus, consegue ter performances ao nível de um Porsche 911 Turbo. Podem ver mais detalhes neste link.

Automóveis superdeportivos com emissões 0 tesla

Outro modelo impressionante e sobre potenciado é o lightning. Este modelo está equipado com quatro propulsores eléctricos, um por roda, e a potência máxima cifre-se nos 700cv. Podem ver mais detalhes neste link.

Automóveis superdeportivos com emissões 0

Já existe tecnologia para substituir os motores de combustão interna, mesmo nas alas mais elitistas do sector automóvel, agora para quando poderemos assistir a essa transformação?





A importância da energia hídrica

14 11 2009

A importância da energia hídrica

Esta é uma energia limpa e renovável, que tem como princípio base o aproveitamento de energia proveniente do ciclo da água, nomeadamente na diferença de cotas (altitude) durante os percursos hídricos. Por sua vez, o ciclo da água, tem por base o sol, assim sendo, podemos afirmar que a energia hídrica é um aproveitamento indirecto da energia solar.

A energia hídrica tem vantagens quando comparada directamente com outras energias renováveis. A mais evidente e interessante é a capacidade de armazenar a energia e disponibiliza-la quando necessário, isto é feito armazenando água numa albufeira. Nas barragens mais modernas, já possibilitam aproveitar o excesso de energia existente na rede eléctrica em horas de vazio e bombear água para jusante da barragem. Este facto possibilita armazenar mais energia para ser utilizada em horas de ponta.

Curiosidades:

  • A primeira central hidroeléctrica de Portugal a entrar em funcionamento, foi a de Biel em Vila Real e data de 1894 (ver aqui).
  • A central hidroeléctrica do Lindoso tem uma potência instalada de 630MW, o que é equivalente a potência de mais de 300 aerogeradores. Podem ver mais detalhes (aqui).
  • A barragem do Alqueva é a maior barragem da Europa, para além disso, está dotada de uma central reversível (ver aqui).




Um grande dia para a liberdade

9 11 2009

Hoje fazem 20 anos da queda do muro de Berlin.  Contudo em pleno século XXI muitos muros seguem levantados para a vergonha da humanidade.

A titulo de curiosidade, deixo a música que os Pink Floyd sob a mão de David Gilmour, dedicou a este efeméride.





Energia das Ondas

7 11 2009

Energia das Ondas

Aproveitando a energia cinética e potencial, resultante do movimento oscilatório das ondas marítimas, consegue-se retirar uma quantidade significativa de energia. Neste momento é uma tecnologia que ainda está em crescimento e suscita pouco interesse no ponto de vista económico. Por outro lado, é uma tecnologia limpa e pode contribuir para a diminuição da emissão de CO2 e consumo de petróleo.

A nota de curiosidade, as ondas têm por origem o vento e por sua vez o vento tem por origem o sol, isto é, o aproveitamento da energia das ondas é o aproveitamento indirecto da energia solar.

Em Portugal, nomeadamente na Aguçadoura (Póvoa de Varzim), está instalado um projecto-piloto, uma máquina que aproveita o movimento oscilatório das ondas, sendo capaz de produzir até 750kW de potência. Segundo fonte oficial da Câmara da Póvoa do Varzim, o objectivo passará por instalar 25 dispositivos deste género, capazes de produzir até 21MW, podendo assim fornecer energia eléctrica a cerca de 15 mil famílias e contribuir para a diminuição de 60 mil toneladas por ano de CO2.

Esperemos que este tipo de aproveitamento de energia se comece a massificar em Portugal.





Taxas no Multibanco

3 11 2009

Taxas no Multibanco

Que seriamos hoje em dia sem o Multibanco? A utilização do multibanco possibilita o pagamento de contas, efectuar levantamentos e depósitos de uma forma cómoda, eficaz e relativamente segura. Se observarmos com atenção estamos dependentes das caixas multibanco e do respectivo cartão.

Actualmente, as operações de levantamentos, não têm custos acrescidos em Portugal, ao contrário do que acontece nos restantes países da União Europeia (fonte). Contudo, em 1 de Novembro deste ano, entrou em vigor uma normativa Europeia, que permite cobrar taxas pela utilização do Multibanco (fonte). Isto é, poderemos ter que cobrar uma taxa sobre os levantamentos, assim como ter que cobrar um valor acrescido na compra de bens pagos por multibanco.

Pessoalmente acho que este tipo de legislação permitirá abrir as portas a receitas adicionais a banca. Se realmente a banca decidir avançar com a cobrança desta taxa, tal medida pode vir a reflectir-se numa diminuição de pagamentos electrónicos. Sendo o dinheiro em numerário o meio mais utilizado em negócios ilícitos e por outro lado, facilita a evasão fiscal, parece-me contra sensual implementar medidas que visem constranger o pagamento electrónico.





Gasolina Vs Diesel

31 10 2009

Gasolina Vs Diesel

No artigo preços dos combustíveis, defendi neste blog a adequação do preço dos impostos aos combustíveis a componente ambiental, que iria implicar na descida do preço da gasolina, pois o valor praticado de ISP para este produto, é avultado e desproporcionado.

O alto preço da gasolina está a causar uma “dieselização” do nosso parque automóvel e actualmente o consumo de gasóleo supera o consumo da gasolina. Este fenómeno, já se verificava mesmo antes de entrar em massa no mercado versões turbodiesel de baixa cilindrada (ver power-point aqui).

Mas algo de errado está acontecer… sempre soube que da refinação do petróleo, obtém-se mais gasolina que gasóleo (fonte). Mas afinal o que é feito a essa gasolina em excesso? Fontes não oficiais da Galp informaram-me que essa gasolina é vendida a preço reduzido aos EUA.

Para quem leu a totalidade dos artigos, certamente concordará que faz todo o sentido diminuir o ISP da gasolina a prol da redução de emissões de CO2 para a atmosfera. Também é de salientar, que é pena que os construtores de automóveis, não apostassem tão forte no desenvolvimento dos motores a gasolina, como fizeram nos diesel, seria sem dúvidas mais um incentivo para manter o equilíbrio na balança de consumo gasolina/gasóleo.





350

25 10 2009

350 ambiente

Este número representa uma ambiciosa meta proposta por cientistas e ambientalistas para evitar os efeitos irreversíveis do aquecimento global. Uma concentração de CO2 de 350 ppm (partes por milhão) é a meta a atingir!

No passado dia 24 de Outubro, fez-se uma iniciativa a nível global, pela organização 350 (ver site aqui), para divulgar esse número 350. Cá em Portugal foram feitas duas grandes iniciativas: uma em Lisboa no padrão dos descobrimentos e outra em Gaia na ponte D. Luís. Afortunadamente esta mensagem passou nos principais meios de comunicação social, contudo o poucas pessoas sabem o significado desse número e os efeitos se o mesmo for ultrapassado.

Na minha opinião, se os cientistas que chegaram a esse número têm a razão, estamos numa situação desfavorável. Actualmente o valor de concentração de CO2 na atmosfera ultrapassa os 390 ppm e o ritmo de crescimento é superior a 2 ppm/ano com uma tendência ligeiramente crescente. O corte drástico nas emissões de CO2 num curto espaço de tempo também é um cenário pouco provável… a dependência dos combustíveis fósseis é de tal forma elevada que tal cenário seria de todo impossível. Ainda há o agravante das economias emergentes, que para o seu desenvolvimento, estão a emitir CO2 de uma forma crescente.

Claro que sou a favor de encontrar soluções a nível global! Chegar a acordos sobre o mercado de carbono, redefinir cotas de carbono e aplicar sanções económicas aos incumpridores é fundamental. Também é importante que as medidas abranjam todas as nações especialmente os mais poluentes ou os que possam vir a sê-lo. Actualmente, os 3 países que são os maiores emissores de CO2, não ratificaram o protocolo de Quioto que são os EUA, Rússia e China.

Como nota de conclusão, a meta 350 é praticamente impossível, os efeitos do aquecimento global já se sentem em alguns pontos do planeta, nomeadamente nos pólos onde o degelo é uma realidade. Por último, deixo o link para um artigo que escrevi sobre a realidade do aquecimento global (aqui).

350 Gaia





Trocar submarinos por armas?

17 10 2009

Trocar submarinos por armas

Esta foi a proposta que fez Almeida Santos, presidente do partido socialista… Estranho não? Quando ouvi esta notícia no rádio, fiquei pasmado! Disse mesmo armas? Ou diria mais apoio social ou investimento a prol da equidade, valores defendidos pelo partido socialista? Não disse mesmo armas para equipar a Marinha de modo a desempenhar as suas funções de fiscalização.

Na minha opinião é absurdo seguir o conselho proposto por Almeida Santos. Por outro lado, o Almirante Melo Gomes, Comandante da marinha, partilha a opinião que os dois submarinos são imprescindíveis para a Marinha.

Portugal tem a 10ª maior região económica exclusiva do mundo e a 3ª maior de Europa. O impacto económico de uma correcta gestão da nossa região marítima poderá ser uma mais-valia, mas para isso, também é importante a fiscalização e ai é que entra o papel relevante dos submarinos. Os submarinos podem monitorizar a partir do fundo as actividades ali correntes, nomeadamente controlar as actividades ilícitas como o tráfico de droga por exemplo.

A meu ver é de suma importância a gestão sustentável de todos os recursos naturais, assim como o combate a actividades ilícitas. Neste contexto, os submarinos podem ter um papel relevante, nomeadamente na fiscalização.

E pena que em Portugal se faça politica de casos e pouca politica a prol do interesse comum. Também e lastimável a fuga de milhões de euros da aquisição dos submarinos…





Os Jovens e o emprego

14 10 2009

Os Jovens e o emprego

O fantasma do desemprego abrange todas as faixas etárias, contudo a os jovens e sobretudo os recém licenciados, são aqueles que encontram maiores dificuldades. Este artigo não surge como um desabafo pessoal, pois afortunadamente nunca tive problemas em termos de empregabilidade, mas não deixo de ser solidário perante milhares de jovens que tem dificuldades em inserir-se com dignidade no mundo laboral.

Muitas pessoas tentam incumbir a falta de emprego aos governos, é verdade que estes tem um papel importante nesta matéria, mas na minha óptica, a origem da maior parte do problema está noutro sítio:

A globalização descontrolada. Este é sem dúvidas o maior causador de desemprego nos países desenvolvidos. Como várias vezes frisei não sou contra o mercado global ou o fenómeno da globalização, contudo acho que deveria haver uma mais justiça neste mercado, para lutar contra uma concorrência desigual. Nas chamadas economias emergentes, possibilitam o trabalho precário, com reduzidos ordenados, sem condições de segurança e com horários de trabalho desproporcionados. Nestas condições consegue-se reduzir os custos de fabricação a custa de espremer o trabalhador, e isso reflecte-se no preço final dos produtos.

A questão do mercado global, provocou dois efeitos negativos em Portugal?

  1. A descentralização das fábricas para as economias emergentes. Sendo que Portugal, depende fortemente do investimento exterior, nomeadamente da implementação de indústria, a descentralização desse investimento terá um forte impacto nos números do emprego.
  1. A entrada de produtos provenientes das economias emergentes, com reduzidos preços a custa da exploração laboral e pelo desrespeito ao meio-ambiente. A dificuldade dos produtos “made in Portugal” tem para concorrer com os reduzidos preços dos produtos provenientes das economias emergentes, forçam o encerramento da pouca indústria existente em Portugal, sendo que a têxtil é das mais afectadas.

Neste ambiente, a sobrevivência da indústria em Portugal é difícil. Para as empresas poderem sobreviver, tem que apostar na contenção de custos e na inovação.

Os jovens são os mais afectados, pois para entrar no mundo do trabalho, tem dificuldade em arranjar colocação pela falta de oferta. Para agravar a situação, estando a maioria das empresas em contenção de custos, as condições de trabalho não são as melhores e em alguns casos estão fora da lei.

Ordenados reduzidos e pesados horários de trabalho reinam no mundo dos jovens licenciados. Para inverter a tendência, é necessário apostar na regulamentação e controlo do mercado global.