Um feliz 2013

31 12 2012

Este ano será certamente marcado por mais crise económica, mais desemprego e maior dificuldade financeira para uma basta quantidade de famílias Portuguesas. Apesar de termos entrado numa clara espiral recessiva económica, 2013 poderá entrar como um ponto de viragem e retomar alguns valores esquecidos pelo capitalismo descontrolado. Acredito que passaremos a valorizar mais os domingos em família, uma longa caminhada, uma volta de bicicleta, um jogo de cartas ou de tabuleiro. Teremos uma maior ligação a natureza, voltaremos a cultivar de uma forma artesanal e a valorizar de outra forma a nossa alimentação. As dificuldades também nos vão dotar de maior criatividade para ultrapassar os obstáculos. Não podemos encarar a entrada em 2013 como mais um ano de dificuldades mas sim como um ano diferente e de mudança de nós próprios.

 





Portugal no lixo

9 07 2011

Na passada terça-feira a agência de Rating Moody’s classificou a dívida da República Portuguesa como lixo. Esta classificação equivale a dizer que Portugal apresenta um elevado grau de risco de não cumprir as suas obrigações perante os credores. Mas essa classificação de lixo não se restringiu a dívida soberana, como também foi extrapolada para a banca e várias empresas onde existem capitais públicos como a REN, CP, RTP…

Mas afinal o que significa essa classificação de lixo?

A classificação de lixo significa vários problemas, significa que os credores vão exigir maior taxa de juro para comprar dívida e significa que outros credores simplesmente não vão comprar dívida, porque os estatutos das entidades que representam não permitem a compra de “lixo”. Estes dois factos juntos irão disparar a taxa de juro da divida Portuguesa, o que vai aumentar as despesas da Republica, que por sua vez o Governo terá que procurar soluções para as finanças públicas, que poderá passar por mais austeridade, sendo que a austeridade levará a uma maior contracção da economia que se reflectirá ainda em mais crise.

Como tem sido noticiado, esta classificação por parte desta agência de Rating é meramente especulativa, pois ainda não existem dados sobre a aplicação do acordo com a troika para poder afirmar que Portugal não será capaz de se financiar e que terá que pedir mais ajuda internacional. Esta situação é como um professor chumbar um aluno ainda antes de efectuar o teste…

Como podemos combater este problema?

O Problema combate-se ignorando e descredibilizando estas agências de Rating. A falta de rigor e profissionalismo como as classificações são efectuadas pelas a agências de Rating, devem ser ignoradas como aconselhamento financeiro ou de risco. Por outro lado deve ser criada uma agência de Rating por uma instituição governamental internacional (FMI ou ONU), em que a classificação de produtos financeiros deve ser efectuado com base em resultados financeiros e previsões credíveis e não na especulação.

Como podemos recupear da crise da dívida soberana? Com mais austeridade?

A minha resposta é não, deveremos ultrapassar o problema com mais poupança, essa poupança passa por profundas reformas no estado mantendo a qualidade dos serviços públicos e passa por incentivar aos Portugueses e as empresas portuguesas comprar bilhetes do tesouro a uma taxa mais reduzida da praticada nos mercados. Por último o problema deve ser encarado como um problema da zona euro, o reforço do fundo de estabilização e a criação de eurobunds certamente poderão trazer um novo fôlego a economia da zona euro, sobretudo aos países com maiores dificuldades.

Agora somos nós que temos que classificar a Moody’s como lixo e iniciar um novo ciclo





Este natal meia posta de bacalhau

2 07 2011

Novo governo e toca apertar mais um furo ao cinto, mas só para alguns ou seja para os mesmos de sempre, pois parece que a classe média em Portugal vai acabar com medidas deste género. Por outro lado, vemos os intocáveis dos grandes interesses económicos a poder engordar, nomeadamente investidores estrangeiros que vão comprando Portugal a preço de saldo.

Austeridade ou medidas impopulares são mesmo necessárias de modo a poder mudar o rumo de 35 anos de má gestão dos recursos públicos, mas também é necessário incentivar a economia, aumentar a produção e emprego. Contudo normalmente há uma relação inversa entre austeridade e crescimento económico, sendo necessário ponderar bem as medidas para poder sanear as contas públicas. Certamente não será retirar parte significativa do subsidio de Natal aos trabalhadores que iremos resolver o problema, apenas iremos agravar a situação. Pois vejamos o impacto que esta medida vai ter… O Natal é uma época de excesso de consumo, contudo com os Portugueses ainda mais pobres, teremos menos excesso, essa diminuição de consumo irá revelar-se em grandes dificuldades para pequenos comércios que verão as suas receitas a diminuir e alguns terão mesmo que fechar portas, menos consumo também significa menos receitas fiscais em IVA e IRC… Feitas as contas teremos mais retracção da economia e desemprego que continuam a alimentar um ciclo vicioso que parece não ter fim…

Como tenho vindo a defender Portugal não precisa espremer a classe média para sair da crise, mas precisa de reformas profundas que passam pelo combate a corrupção e ao clientelismo. Um pais em que mais de 20% da economia é paralela (não paga impostos ILEGAL) e onde existem enumeros institutos para empregar os boys (as gorduras do estado), entre outras actividades ilegais de favorecimento politico que todos sabem mas ninguém quer ver…

Voltando ao assunto inicial, a austeridade não deve deixar imune os grandes e espero que uma eventual redução de TSU venha mesmo implicar em um incentivo ao emprego e ao crescimento económico e não ao aumento dos lucros dos grandes interesses económicos.

E esta consoada mais batatas, menos bacalhau e dosear bem o azeite





Sector empresarial do estado

20 02 2011

Os custos associados com o sector empresarial do estado tem sido objecto de debate nos últimos tempos. Existem muitas empresas estatais que apenas reportam prejuízos, que são cobertas pelo contribuinte, tendo um impacto significativo no défice público.

Recentemente os dois principais partidos chumbaram uma medida que visava limitar os ordenados dos gestores públicos ao ordenado do presidente da república. Claro que estes dois partidos, repartiram o poder em 36 anos de democracia… casualidade?

Elevados ordenados para gestores de empresas públicas que apenas reportam prejuízos, quem paga é o povo com medidas de austeridade… Reduzir os custos com administradores parece-me pouco, um administrador deve cumprir um objectivo, tornar uma empresa prospera e lucrativa, se não cumprir… deverá deixar o lugar a disposição para um gestor mais competente.

Por outro lado, alterações que visem dissolver e/ou tornar empresas publicas em empresas rentáveis não é assim tão simples. Exemplo disso são as empresas de transportes públicos como a CP (por exemplo), para tornar a empresa lucrativa passaria por eliminar grande parte das ligações, sendo que iria ter um impacto social negativo. Para contornar o problema, acho que deveria existir um fundo misto comportado pelo estado e autarquias para subsidiar ligações de interesse público. Uma medida desta grandeza dará um poder negocial as autarquias no que se refere ao serviço publico de transportes, mas esse poder negocial encarará encargos, por isso, acho que uma medida desta grandeza, ira permitir termos empresas estatais rentáveis e garantir transporte público suficiente para as necessidades.

Se leu o artigo até aqui, questionará, mas isso implica que o contribuinte pague na mesma? sim é verdade. Mas o cabimento para o fundo que proponho deve provir de impostos sobre a emissão de CO2, pois o objectivo dos transportes colectivos também passa por essa componente ambiental.





Como combater a subida do preço dos combustíveis?

30 01 2011

O preço do petróleo tem aumentado substancialmente nos últimos meses. Actualmente o preço do petróleo encontra-se na casa dos 90$ enquanto em Setembro o valor estava na ordem dos 75$, este facto aliado a desvalorização do euro face ao dólar tem feito disparar o preço dos combustíveis.

A escalada de preços de combustíveis gerou bastantes problemas a empresas de logística, transportadoras aéreas e de actividade piscatória em 2008. Estas e outras empresas em que a maior fatia da despesa esta directamente associada aos combustíveis fósseis, são empresas frágeis e facilmente podem falir com uma subida acentuada dos preços dos combustíveis.  Contudo o aumento de combustíveis, gera um aumento generalizado de preços, assim como uma diminuição de lucros por parte das empresas.

Hoje em dia é fácil as empresas salvaguardarem-se perante estas subidas. Basta comprarem petróleo quando o preço está “relativamente barato” e vender quando são atingidos picos.  Claro que não faz sentido as empresas guardarem barris de petróleo num armazém, pois empresas corretoras permitem a negociação sem necessidade de ter o produto em casa.  Esta negociação é geralmente efectuada com alavancagem, isto é, se comprarmos 100 barris de petróleo a 75$ , temos 7500$, contudo graças a alavancagem teremos que imobilizar apenas 750$ (se a alvancagem for de 10X). Após este período, os nossos 100 barris custam 9000$, ou seja se vendermos teremos um lucro de 1500$ que dariam para cobrir os gastos com o aumento dos combustiveis.

A primeira vista pode parecer simples, contudo trabalhar com plataformas de negociação é recomendável  ter conhecimentos de transacções em mercados financeiros. O tamanho do lote a investir deve ser ajustado conforme os consumos de combustíveis fósseis, pois os mercados por vezes causam dissabores, e este investimento protectivo, pode transformar-se num investimento destrutivo, pois como todos nos sabemos, as petrolíferas actualizam os preços logo que há subidas no petróleo, mas quando o preço da matéria-prima desce, teremos que esperar algum tempo para que se reflicta no preço dos combustíveis.

 





Automóveis Eléctricos a venda em Portugal

22 01 2011

2011 irá ficar marcado como um ano de chegada de veículos eléctricos ao mercado das massas.  Actualmente existem dois fabricantes a apresentarem soluções: o Nissan Leaf e o Opel Ampera. Ambos automóveis apresentam preços pouco apelativos assim como performances e autonomias aquém dos convencionais automóveis equipados com motores de combustão interna. Por outro lado, apresentam 0 de emissões de CO2 assim como custo por quilómetro muito reduzido.

Estes automóveis são uma solução bastante interessante para deslocações urbanas e capazes de satisfazer as necessidades da maior parte das deslocações diárias a um reduzido custo. Contudo os preços praticados fazem com que estes dois modelos não sejam economicamente rentáveis, apesar  de eu ter uma posição favorável a proliferação destes veículos. Acredito que no curto médio prazo teremos automóveis eléctricos mais evoluídos e com preços mais apelativos.

O Opel Ampera apresenta um trunfo perante o adversário nipónico. O Ampera não só é um automóvel eléctrico, como também está dotado de um gerador accionado através de um  motor de combustão interna que carrega as baterias (com autonomia aproximada de 60Km) e prolonga a autonomia até os 500Km. Por outro lado, o Nissan Leaf apresenta um preço mais competitivo e uma autonomia eléctrica de cerca de 150Km.





Um problema chamado endevidamento

16 01 2011

A crise na qual estamos mergulhados esta a ser causada sobretudo por um problema chamado de endividamento. Este problema afecta directamente ao estado português, mas não só… Pois existe também um elevado endividamento, quer por parte de empresas, quer por parte de particulares.

O problema do endividamento do estado, foi causado pela má gestão de vários governos após o 25 de Abril. Os elevados encargos pagos pelos contribuintes para determinados “tachos”, um sistema de segurança social não sustentável, as sucessivas derrapagens orçamentais em obras públicas e a elevada evasão fiscal, levaram Portugal a este estado. Estes são os quatro principais pontos que o governo, ou próximos governos devem analisar.

A entrada do FMI em Portugal, cenário cada vez mais provável, poderá ajudar a equilibrar as contas publicas, mas por outro lado, levara a mais medidas de austeridade e desemprego. Por isso, acho que a entrada do FMI será mau para Portugal. Uma possível solução passará por um governo forte, um governo de bloco central, com uma visão mais rigorosa sobre os problemas orçamentais. Claro que o governo de bloco central não existe por interesses partidários e quem vai sofrer as consequências serão os Portugueses.

Como disse no inicio do texto, o problema do endividamento, alastra-se a muitas empresas e particulares. A culpa ai é das instituições de crédito e banca que facilitavam o crédito. Por outro, lado também é um factor cultural que é o aceder ao crédito para os principais projectos, que aliada a uma falta de cultura financeira por parte dos Portugueses, fizeram chegar a este estado.