Para além da política

31 01 2010

A política não se deve (ou deveria) tratar de um jogo de interesses no qual apenas participam um círculo limitado de pessoas. A política trata-se acima de tudo de uma ciência social que é construída sobre ideais e ideias para a governação.

Os fluxos ideológicos, nos quais assentam a maior parte dos partidos, já apresentam bastante antiguidade e a sua aplicação não se adequa os tempos que vivemos. Como agravante, a história relata que a implementação de muitos desses modelos fora um fracasso, porem, esses fluxos ideológicos, muitas vezes não passa de ser uma fachada ou uma imagem de marketing, sendo que a verdadeira ideologia dos partidos políticos é o reflexo e as ideias dos seus líderes.

A falta de credibilidade na política não se limita a falta de credibilidade nos políticos, o outro factor é a pobreza de ideais no seio dos partidos que não se adequam ao tempo em que vivemos, existindo sim, uma entropia de ideias e de contra-argumentação que não cativa o envolvimento das pessoas na vida política.

Seria importante o surgimento de novos fluxos ideológicos, que complementassem os já existentes, preenchendo as lacunas neles existentes e adequando-os a população do século XXI. O mais importante visar um desenvolvimento sustentável e minimizar os problemas sociais. Claro que a mutação demográfica será um dos principais problemas que os governantes estatais devem ter em conta, pois a Europa está a envelhecer e a sustentabilidade dos sistemas de segurança social estão postos em causa.





Aquecimento central, um desperdício de energia

23 01 2010

Recorrendo a princípios básicos da termodinâmica, podemos saber até que ponto somos eficientes na forma como utilizamos a energia. É de conhecimento geral a lei da conservação da energia, a energia não surge nem desaparece, transforma-se. Porém existem limitações, como a energia se transforma podemos transformar trabalho em calor a 100% mas o contrário não é possível. A termodinâmica possibilita não só fazer uma abordagem quantitativa da energia como também possibilita efectuar uma abordagem qualitativa.

Se aplicarmos estes princípios básicos da termodinâmica, verificamos que os sistemas de aquecimento central convencionais são ineficientes no ponto de vista termodinâmico. Normalmente uma caldeira diesel ou a gás, poderá aproveitar cerca de 90% da energia, para obter água a cerca de 80ºC. Contudo se utilizarmos esses mesmos combustíveis num motor de combustão, poderemos obter na ordem de 30% em trabalho e 60% em calor útil e 10% de desperdício. Os 30% de trabalho podem ser transformados numa bomba de calor com um COP (coeficiente de eficiência) de cerca de 3 em calor. Assim poderíamos obter a partir da queima de combustível, uma transferência de energia de cerca de 150% para a água a 80ºC. Fantástico não? Para os mais atentos perguntarão onde está a lei da conservação da energia? A resposta está que as bombas de calor absorvem energia do ambiente, ou seja, os cerca de 60% são absorvidos do exterior e outros 10% são dissipados para o ambiente.

Se recorrermos a aquecimento por piso radiante poderemos ainda obter uma maior eficiência, pois teremos que aquecer a água até 40º e a essa temperatura as bombas de calor são mais eficientes, isto é, aproveita-se mais energia do exterior (energia grátis).





Iluminação Publica LED

17 01 2010

Esta será sem dúvidas a tecnologia na qual se deve apostar para a iluminação pública. A iluminação LED não só traz vantagens a nível de eficiência energética como também apresenta vantagens a nível dos reduzidos custos de manutenção. Claro que o principal entrave é o investimento inicial elevado para a substituição das lâmpadas convencionais por lâmpadas LED.

As lâmpadas LED podem representar uma diminuição de até 80% no consumo de energia e respectiva factura. O outro ponto forte é o facto destas lâmpadas terem uma vida útil na ordem dos 10 anos. Poderão ver neste site características mais específicas, assim como algumas soluções LED.

A prol do ambiente e da sustentabilidade energética, espero que o investimento nesta área seja sério pois apesar dos elevado custo que pode representar, terá certamente retorno em médio prazo e muitas toneladas de CO2 não serão emitidas para a atmosfera.





Os portugueses sabem votar?

13 01 2010

Pode parecer uma pergunta irónica ou até ofensiva, mas na realidade a maior parte das pessoas não tem conhecimento do verdadeiro significado do voto e por vezes a cruzinha incide sobre um sentimento ou uma intuição em vez de um acto reflectido e consciencioso.

A primeira e principal barreira incide na falta de formação na área da política. Por exemplo, quais são as competências da Assembleia da Republica, do Governo, do Presidente da Republica, do Governo Civil, da Câmara Municipal, da Assembleia Municipal, da Junta de Freguesia ou da Assembleia da Freguesia? Para que servem os partidos? Que ideais defendem? Qual o papel da oposição? Como são escrutinados os resultados? Que significa um voto nulo, em branco ou abstenção?

As questões anteriormente citadas são o mínimo que o eleitor deverá saber para poder votar. Pois escolher alguém em consciência sem saber quais são as funções que ira desempenhar e as ideias que defende, carece de sentido…

Pode parecer uma comparação absurda, mas imaginem-se que a matemática não fosse de conhecimento comum e dessem a todas as pessoas um boletim com uma conta e 4 opções para escolher a certa. Isto é o que sucede nas eleições, por isso a política deve ser de conhecimento comum e leccionado nas escolas.





Captura e armazenamento de carbono

10 01 2010

O CO2 proveniente da queima dos combustíveis fósseis é assinalado como o principal responsável pelo aquecimento global. Vários cientistas afirmam que já foi ultrapassado o valor de concentração de CO2 considerado seguro, outros dizem que esse valor será ultrapassado em breve. O que sim é necessário é diminuir drasticamente a emissão de gases com efeito de estufa.

Neste cenário surge a ideia de capturar o CO2 e armazena-lo no subsolo (poços de petróleo e gás natural esgotados) ou injecta-lo nas profundezas do oceano de modo a que se dissolva na água. A primeira vista pode parecer uma solução interessante, mas a meu ver, trata-se de uma solução tipo “varrer para debaixo do tapete”, ou seja, camuflar o problema pois o CO2 existe na mesma e se analisarmos superficialmente existem vários inconvenientes:

  • A solução de armazenamento no subsolo implica um elevado risco de existirem fugas.
  • A injecção do CO2 na água poderá ter efeitos devastadores nos ecossistemas marinhos.
  • Outro inconveniente óbvio é a necessidade de gastar bastante energia para separar e armazenar o CO2, gastar bastante energia, implica literalmente emitir mais CO2…

A meu ver devem ser centrados esforços nas energias renováveis, na energia nuclear e também na eficiência energética, como modos de redução de emissão de gases de efeito de estufa. Deixaria claramente de parte a captura e armazenamento de carbono.





Energia eólica offshore

3 01 2010

A energia eólica offshore consiste em construir parques eólicos ao longo da costa marítima. Esta tecnologia possibilita aumentar a potência instalada de energia eólica e ainda proporciona algumas vantagens face aos parques eólicos terrestres:

  • Há mais vento no mar que em terra, isso deve-se ao facto da inexistência de obstáculos no mar e a menor rugosidade da superfície marítima quando comparada com a terrestre.
  • É mais fácil transportar os elementos constituintes dos aerogeradores por mar do que por terra. Inclusive, ficam abertas as portas a fabricação de aerogeradores de maior porte, que permitirão retirar mais energia do vento.

Contudo também existem dificuldades e inconvenientes na implementação desta tecnologia:

  • O custo da fabricação das fundações é elevado assim como é necessário fabricar torres mais altas, pois parte da estrutura fica submersa.
  • O custo da manutenção é mais elevado, pois o mar é um ambiente mais corrosivo. Por outro lado, a deslocação de técnicos fica mais cara.
  • Esta tecnologia fica limitada a 40 metros de profundidade, para instalar aerogeradores a profundidades maiores, está a ser desenvolvida uma tecnologia flutuante, que está em fase de testes.
  • O impacto ambiental nos ecossistemas marinhos.

Em Portugal calcula-se que esta tecnologia poderá representar 3500MW de potência instalada (fonte). O que é um valor bastante interessante.





Acumuladores de calor eléctricos

2 01 2010

Os acumuladores de calor eléctricos surgem como uma alternativa aos tradicionais sistemas de aquecimento central a gasóleo ou gás natural. O seu princípio de funcionamento é simples, resistências eléctricas que ligam durante o horário de vazio (períodos nocturno em que o custo da electricidade é menor), armazenando o calor em blocos cerâmicos que dissipam o calor acumulado durante o resto do dia.

Os acumuladores de calor apresentam-se como uma solução amiga do ambiente, pois a electricidade gerada durante a noite (horário de vazio), provém essencialmente de fontes renováveis e de centrais termoeléctricas de ciclo combinado (menor emissão de CO2 por kW consumido). Também é de realçar que a tendência de ter mais potencia instalada de fontes renováveis, tornando ainda mais ecológico o recurso a esta tecnologia.

Os acumuladores de calor como solução de climatização apresentam várias vantagens:

  • Não precisam de pré-instalação nem caldeiras ou termoacumuladores.
  • A manutenção é praticamente nula e a fiabilidade dos equipamentos é elevada.
  • Apenas consomem electricidade em períodos de vazio (no qual o custo da electricidade é sensivelmente a metade)

Por outro lado apresentam algumas desvantagens:

  • Necessidade de aumentar a potência instalada e contratar uma tarifa bi-horaria (maior encargo mensal no “aluguer do contador”).
  • Por vezes o calor gerado pode-se mostrar insuficiente sobretudo no fim do dia (os acumuladores eléctricos é uma solução ideal para quem usufruir do espaço todo o dia).
  • Termodinamicamente recorrer ao aquecimento por resistências eléctricas é uma má solução. Recorrendo a bombas de calor, podemos obter 3 vezes mais energia por KW de electricidade consumida.
  • Apesar do equipamento ser parecido a um vulgar radiador, o seu peso é elevado, por isso não é fácil transportar os acumuladores de um sitio para o outro, como sucede com os radiadores eléctricos.