Portugal no lixo

9 07 2011

Na passada terça-feira a agência de Rating Moody’s classificou a dívida da República Portuguesa como lixo. Esta classificação equivale a dizer que Portugal apresenta um elevado grau de risco de não cumprir as suas obrigações perante os credores. Mas essa classificação de lixo não se restringiu a dívida soberana, como também foi extrapolada para a banca e várias empresas onde existem capitais públicos como a REN, CP, RTP…

Mas afinal o que significa essa classificação de lixo?

A classificação de lixo significa vários problemas, significa que os credores vão exigir maior taxa de juro para comprar dívida e significa que outros credores simplesmente não vão comprar dívida, porque os estatutos das entidades que representam não permitem a compra de “lixo”. Estes dois factos juntos irão disparar a taxa de juro da divida Portuguesa, o que vai aumentar as despesas da Republica, que por sua vez o Governo terá que procurar soluções para as finanças públicas, que poderá passar por mais austeridade, sendo que a austeridade levará a uma maior contracção da economia que se reflectirá ainda em mais crise.

Como tem sido noticiado, esta classificação por parte desta agência de Rating é meramente especulativa, pois ainda não existem dados sobre a aplicação do acordo com a troika para poder afirmar que Portugal não será capaz de se financiar e que terá que pedir mais ajuda internacional. Esta situação é como um professor chumbar um aluno ainda antes de efectuar o teste…

Como podemos combater este problema?

O Problema combate-se ignorando e descredibilizando estas agências de Rating. A falta de rigor e profissionalismo como as classificações são efectuadas pelas a agências de Rating, devem ser ignoradas como aconselhamento financeiro ou de risco. Por outro lado deve ser criada uma agência de Rating por uma instituição governamental internacional (FMI ou ONU), em que a classificação de produtos financeiros deve ser efectuado com base em resultados financeiros e previsões credíveis e não na especulação.

Como podemos recupear da crise da dívida soberana? Com mais austeridade?

A minha resposta é não, deveremos ultrapassar o problema com mais poupança, essa poupança passa por profundas reformas no estado mantendo a qualidade dos serviços públicos e passa por incentivar aos Portugueses e as empresas portuguesas comprar bilhetes do tesouro a uma taxa mais reduzida da praticada nos mercados. Por último o problema deve ser encarado como um problema da zona euro, o reforço do fundo de estabilização e a criação de eurobunds certamente poderão trazer um novo fôlego a economia da zona euro, sobretudo aos países com maiores dificuldades.

Agora somos nós que temos que classificar a Moody’s como lixo e iniciar um novo ciclo


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